Em
meados da década de 40, do mui notável século XX, Jean-Paul Sartre proferia “L’ enfer c’est les autres” (O inferno
são os outros) na sua peça "No Exit/ Huis Clos", suscitando diversas análises e interpretações nos mais variados quadrantes... efetivamente o que sempre me interessou, do ponto de
vista filosófico, é a liberdade e a interpretação pessoal que cada um
poderá fazer. A beleza e a função terapêutica da poesia, filosofia, da arte,
das narrativas, não consistem na análise aritmética da perspetiva do autor, mas
do recetor, daquele que vê, perceciona, interpreta e a vive de acordo com a sua história.
De
facto, a forma como vemos o mundo influencia o nosso pensamento: se usarmos
óculos de sol com lentes muito escuras, protegemo-nos dos raios ultravioleta,
no entanto, retiramos muita luminosidade à imagem; porém se os trocarmos por
lentes mais claras, poder-se-á ver com maior profundidade, mas com isso
acrescerá maior sensibilidade à luz.
Dito
isto, se usar sempre os mesmos óculos em diferentes estados de tempo, poderá
acentuar escabrosas tempestades e/ou criar um fantástico pôr-do-sol ao início de
uma tarde…
Muitas
análises foram feitas a este “polémico” dito sartreano, porém se pensarmos que
os outros, às vezes somos nós, e nós somos, por vezes, o espelho dos outros… será que “o inferno somos nós?”