Há árvores de flor, de fruto, de
diferentes tipos de madeira e folhagem, com múltiplas formas e estruturas.
Árvores que escutam os
mais secretos segredos, onde se fazem as maiores confidências e se inscrevem
nomes com declarações eternas ao longo de várias gerações - são as que se confundem
com o próprio tempo.
Existem outras, com imensa folhagem,
semelhantes a arbustos farfalhudos onde simplesmente se descansa à sombra
escassa, derivada do tamanho do arvoredo. Ainda há árvores de folha persistente e as de folha caduca que mudam a cada estação. Depois há aquelas que secam rapidamente e
precisam de muitos adubos e cuidados atentos do jardineiro... sem dúvida, árvores para todos os gostos e feitios!
Mas há árvores e árvores. Ao observarmos a copa, vemos apenas uma parte, a estrutura alicerçada no solo é uma incógnita, até onde vão as suas raízes? Como lida com os ventos
irados?
Com largos desafios se depara o crescimento de
uma árvore, pois há intempéries que testam a sua robustez. De facto,
se tiver a ousadia de crescer e perdurar muito, vai ter de se
equilibrar, certamente… pois "qualquer árvore que queira tocar os céus precisa ter raízes tão profundas a ponto de tocar os infernos" (Carl Jung).
Ratinhos de laboratório, hamster de estimação,
quem nunca observou a corrida frenética de um roedor nas rodinhas dentro da
gaiola… Porque corre tanto? Não vai a nenhum lado! Será que se exercita,
melhorando a qualidade dos músculos? Estará a preparar o seu corpo para uma
prova de resistência? Apesar de ser intrigante ver tamanha agitação, sabemos
que é uma questão de tempo até o ratinho se cansar e a roda parar, pois embora
empregue tanto esforço nunca vai sair do mesmo lugar…
Por vezes, existem momentos que se assemelham a
gigantes rodas e há ratinhos que, embora se dediquem a uma corrida
frenética, nunca cortarão nenhuma meta, pois o que fazem é alimentar a força
motriz da roda, apenas isso… até ficarem exaustos.
“Rat race” é uma expressão análoga ao esforço empregue em situações
cíclicas e inúteis de desgaste constante (veja-se, a título de exemplo, a corrida de um ratinho na roda, no laboratório). Mais
uma expressão do quotidiano das sociedades modernas, refletora do estilo de
vida, caracterizada pela velocidade dos pensamentos, das obrigações,
da sobrecarga mental, da hiperocupação, bem… já se sabe no que vai originar:
cansaço e frustração.
Por mais que se procure a ocupação total, vai
sempre haver a sensação de se estar incompleto. Por mais que se busque a
perfeição, haverá sempre algo imperfeito. Então porque continuar a correr,
incessantemente?
Parar, sair da
roda. Ouvir o corpo, escutar a mente. Saber abrandar quando se sente fumo,
poderá evitar queimar o motor! Abrandar ou parar não é sinónimo de fraqueza,
mas de inteligência e de auto-estima. Pense e analise bem as rodas (camufladas)
com que se poderá deparar ao longo da estrada da vida…
Jennifer Kunst, psicanalista norte-americana
confessou ter sofrido um insight quando um paciente
a interpelou, perguntando-lhe: “Are you a member of the rat race or the
human race?”
Algumas pessoas têm dúvida na hora de escrever “tenho
de” ou “tenho que”, qual é a forma correta? Segundo alguns peritos da língua,
existe uma diferença no uso empregue das expressões:
“Tenho de” – quando há dever, obrigação, necessidade.
“Tenho de ler” (sou obrigado a ler);
“Tenho que” – quando há algo para fazer. “Tenho muito
que ler” (tenho muitas coisas para ler). Portanto, depende do contexto e
sobretudo do sentido, ninguém disse que português era fácil e as palavras têm o
seu peso…
No fundo, em ambas as expressões, a ação parece
já praticamente predestinada; não haverá muito a fazer, apenas tem de/que cumprir.
Mas… já pensou em substituir o verbo ter pelo querer?
Há uma linha que separa o ter do querer e embora
pareça ténue, divide o campo da obrigação do da vontade. Na maior parte das vezes,
preterimos o querer pelo “ter de”. Mas já se perguntou o que realmente quer? Sei
que há obrigações, mas também há opções e há o querer.
“Tenho de fazer isto, tenho de fazer aquilo”, já
experimentou mudar a expressão para: quero fazer isto, quero fazer aquilo?
Se faz parte do clube dos “tenho de inveterados”
saiba que ao querer vai continuar (!) a ter
de acarretar com a responsabilidade da opção e vai ter que lidar com os múltiplos resultados, só que desta vez é
porque quer, porque lhe apetece, faz sentido?
É claro que não tem de substituir esta expressão, se ela lhe confere as mais
seguras linhas de orientação mas, às vezes, ao mudar a linguagem interna ultrapassamos
enormes barreiras, rumo a uma melhor qualidade-de-vida…
Uma vez um amigo disse-me: “Tenho de ser feliz!”
E eu perguntei-lhe logo de seguida: “Tens ou queres ser feliz?”
Fonte de desespero para uns e de intolerância
para outros: a eterna fuga para a frente. “Amanhã faço, sem falta”. Mas na
maioria das vezes, é mesmo em falta. Procrastinação, conhece? Aqui ficam alguns
sintomas:
- Evitar e protelar tarefas;
- Distrair-se facilmente e fazer outras coisas
não relevantes;
- Sentir-se culpado por não atingir os seus
objetivos;
- Adiar as prioridades;
- Ter dificuldade em tomar decisões;
- Não cumprir a horas os compromissos;
- Passar a vida stressado por não gerir o tempo;
- Ter resultados abaixo do esperado com reflexo
na produtividade;
(…)
A procrastinação não é nada mais do que a
protelação e o adiamento de uma ação; pode estar associada a várias causas:
ansiedade, baixa auto-estima (relação “pescadinha de rabo-na-boca”); síndrome
do estudante (dá mais adrenalina); perfeccionismo…
Ao ficar preso nas malhas da indecisão e da inoperatividade,
o mais provável será desenvolver um desânimo aprendido cíclico, com sentimentos
de culpa e de incapacidade.
Saiba que a melhor forma de sair de um ciclo
vicioso é reconhecer que se encontra dentro dele, para depois rompê-lo, tal
tempestade ciclónica!
Aqui ficam algumas dicas:
Atenção: ou o caro leitor continua a ler, ou
então, deixa para mais tarde, saiba que a opção é sempre sua!
Dar início. “Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje” e o povo lá
aconselha, para se fazer qualquer coisa começa-se pelo início (verdade à La Palice!).
Então, porque não começar logo pela manhã, no princípio do dia? Assim, evita
tarefas circulares e desnecessárias.
Preparar. Se
estiver na presença de uma tarefa mais exigente, convém prepará-la bem, ver o
que se precisa (quais os requisitos) e o que é essencial para um bom começo.
Estabelecer
prioridades. Se tiver dificuldades lembre-se da expressão “first things first” se tem de fazer uma
casa, não começa pelo telhado, certamente... Há alicerces, por isso, construa
os alicerces da sua tarefa e depois parta para o resto.
Estabelecer
prazos. Depois de um início há que delinear um fim. Projete um
prazo para a conclusão e alcance da tarefa ou objetivo. A melhor forma de
procrastinar é deixar em aberto a conclusão, (hoje, amanhã, daqui a um ano…). Deste
modo, aponte no calendário a data
x como o terminus da tarefa.
Criar um hábito contínuo. Se estiver comprometido com um objetivo pessoal a longo
prazo (desporto, por exemplo), pratique-o todos os dias
estabelecendo-lhe um horário predestinado, e já agora se conseguir arranjar
companhia, melhor, ajuda-o a reforçar o seu comportamento e… a união faz a
força!
Criar um compromisso. Comprometa-se!
Escreva num papel, grave um áudio, diga aos amigos, mas mais importante de
tudo: diga a si próprio o que quer e faça-o! Lembre-se que a procrastinação
pode causar efeitos indesejáveis a quem o rodeia, nos mais diversos contextos,
mas há uma pessoa que vai ficar a mais desiludida de todos, pois já sabe quem
é…
Combater
as distrações. Livre-se ou ponha de lado qualquer parafernália
que o distraia e que sirva como desculpa para não terminar, ou impedir de
começar. São os principais adversários, pois são os primeiros a quem recorre
para protelar e adiar… deixe-os sossegados pois terá (ainda) muito tempo para
lhes dedicar.
Visualizar. Imagine
como vai sentir-se ao terminar uma tarefa, ao atingir um objetivo, e sinta
como será ultrapassar a barreira psicológica da gestão do tempo.
Já agora, se sofre de um mal chamado
perfeccionismo, saiba que não há nada mais imperfeito do que ter medo de não
ser perfeito. Termino com uma leve provocaçãozinha...
Nota: Sugerem-se estas dicas o que não quer
dizer que as tenha de seguir biblicamente, lembre-se quem é de facto o agente
de mudança… porém, se tem alguma coisa importante para fazer, o melhor será
mesmo começar porque o amanhã fica (sempre)
longe demais.
P.S. Deixei de procrastinar e escrevi o texto conforme o Acordo Ortográfico. Ah! Foi bem desafiante... eu bem sei que "old habits die hard".
Parece eterna a questão do tempo psicológico. Como vivemos e
experienciamos os momentos, como nos ocupamos mentalmente: com memórias
passadas, com projectos atingir no futuro, no que se faz no presente?
Philip Zimbardo e John Boyd
presenteiam-nos com “The Time Paradox”,
o Paradoxo do Tempo, decifrando alguns paradoxos e desvendando comportamentos
orientados temporalmente. Para os autores, a atitude perante a orientação ou perspectiva temporal tem um impacto importante na nossa qualidade de vida, porém
poucos têm consciência disso. Uma importante ilação desta obra, prende-se com o facto da
orientação temporal ser aprendida e, aquando da tomada de consciência, ser
modificável.
Existem pessoas com orientação
para o passado geralmente muito arreigadas às tradições, ao núcleo
familiar… às memórias. É claro que a orientação pode ser positiva, mas também
pode ser o oposto… o cerne das pessoas altamente orientadas para este tempo é o
facto de estarem “presas”, encalhadas num momento.
As pessoas com orientação para
o futuro geralmente têm bons resultados académicos, bons profissionais,
organizados, mas apresentam baixíssima tolerância ao inesperado, à frustração,
a pequenas coisas como a simples demora no trânsito, é uma enorme perda de
tempo…
Já
pensou que quando se ignora o presente e se olha, primordialmente, para o
passado ou para o futuro em busca da felicidade, pode-se perder a que está
mesmo à frente do nosso nariz? Eu explico, o tempo passado ou o tempo futuro,
são construções mentais, no fundo “vividas” no presente (a sua mente irá
recordar ou projectar emoções); deste modo ao ocupar a sua mente com esses
tempos, poderá não prestar atenção ao momento físico e real. Quem sabe até
poderia ser um daqueles importantes para tempos futuros, ou uma boa memória para
recordar… dá que pensar.
Um dos
paradoxos do tempo prende-se com a orientação no presente, necessária para se
aproveitar a vida, mas esta orientação em demasia pode subtrair felicidade, é
em si um paradoxo. Cair em rotina, e na automatização dos comportamentos acaba
por ser contraproducente, mas uma orientação altamente centrada no presente
hedonista tem o reverso da medalha, e como alguém disse um dia, “o que é demais
é erro”…
Como já deve ter percebido, no inigualável
mundo das ciências humanas, não há lógicas a preto e branco, neste específico
caso trata-se de orientações temporais que foram construídas por si, no seu processo de desenvolvimento. Isto não
significa que tenha de funcionar assim ad
aeternum…
Acima de tudo, (na minha opinião) seja qual for a sua
orientação mais vincada, passado, presente, futuro, pense num tempo mais
determinante do que todos, o agora. Esteja a recordar momentos do passado, que
funcionam como âncoras alicerçadoras da sua felicidade, ou a mudar as suas atitudes
face a acontecimentos passados; a desfrutar a alegria do momento; ou a traçar
objectivos a atingir brevemente, o que estiver a fazer, está a fazê-lo agora. O
que quiser mudar faça-o, agora. Esse é o tempo mais determinante de todos.
Agora.
Segundo a mitologia, Prometeu roubou o fogo (sagrado) de
Zeus para o entregar aos mortais; era conhecido pela sua astúcia, inteligência, porém a sua audácia seria paga à melhor maneira
da tragédia grega… De Ésquilo a Goethe, o imaginário de semi-deuses,
que ultrapassam obstáculos impossíveis e herculineos, sempre povoou o pensamento
ocidental, como uma veia motriz e motivadora para acção.
Mas o que mantém a
psique activa, interessada, motivada - o que nos chama?
Foto original
Estarmos motivados, interessados e activos como fogo-de-artifício (lindo por sinal!) tem
um carácter espectacular mas efémero, pois transformar a faísca em chama,
mantê-la acesa e forte, exigirá bastante empenho e audácia q.b.
A atitude
(predisposição interna, estável e duradoura em relação a determinado objecto
social, composta
pelas componentes afectiva, cognitiva e comportamental) funciona como ignição e catalisador para a chama,
sendo que ninguém pode apagá-la, excepto nós. É esse o busílis da questão, obviamente haverá
factores e condicionantes de ordem externa, mas a chama só se apaga quando quisermos; e é claro, podemos sempre reacendê-la.
Certamente ter-se-á de correr riscos, enfrentar obstáculos, sair da zona de conforto… mas o "fogo sagrado" compensará tal ousadia.
Nocebo já ouviu falar? Lembra-se do efeito placebo? Pense
no seu oposto, apresento-lhe como já alguém disse, o gémeo malvado: o nocebo.
Na
década de 60 do século passado, Walter Kennedy introduziu este conceito como o oposto do efeito placebo, isto é a ocorrência de efeitos colaterais indesejáveis após a
administração de substâncias/drogas inertes e inócuas, ou de qualquer agente que
possa interagir com o organismo nesse sentido.
O agravamento da sintomatologia
e mudança na percepção do estado de saúde é derivado do sistema de crenças, das expectativas, da
(auto)sugestão do indivíduo, que pensa (e sente) que aquilo lhe vai fazer mal.
Kennedy defendeu ainda o termo "reacção nocebo" quando se referia especificamente a uma qualidade inerente ao indivíduo mais do que à substância per si.
Importado da medicina e da farmacologia,
esta reacção pode ser reconhecível no campo psicológico, sim essas coisas da
mente…
Conhece aquelas pessoas que,
quando têm de tomar um medicamento, a primeira coisa que fazem é ler os indesejáveis
efeitos secundários? E aqueles a quem disser que estão com má cara, começam a
sentir-se imediatamente doentes? Ah e os que estão sempre prontos a dizer:
“Tens a certeza, se fosse a ti… não digas que não te avisei… já pensaste
nas consequências?!”
Pronto, pronto já chega… Este
texto pretende apenas alertar para a reacçãodo gémeo malvado que se pode causar nos outros, e sobretudo em nós
mesmos.
Sempre que produz uma
expectativa negativa poderá estar a auto-sugestionar-se e boicotar o seu
comportamento acarretando esses efeitos colaterais…
concedendo ao gémeo malvado maior
espaço de manobra. Ponha-o em “time out” e reforce positivamente o
comportamento do gémeo bom.
Se nos apercebermos das constantes
mensagens que o nosso diálogo interior nos murmura ao cantinho do cérebro,
podemos operar na sua influência. Eu sei que ele
fala de um modo automático e, por vezes, repetitivo, mas quem lhe dá ouvidos
somos nós… se ele alguma vez lhe
disser: “Já sei como vai ser, corre sempre mal!”. Pode responder-lhe baixinho:
“Ai sim? Isso é o que vamos ver! Para já sinto-me bem… muito bem!”.